02/08/2017 às 11h23min - Atualizada em 02/08/2017 às 11h23min

Moscas na “sopa”

- Luci Miranda

As cidades reúnem centenas e centenas de problemas que, em via de regra, são potencializados nas campanhas eleitorais.  Mas puxando na memória, é difícil lembrar de uma promessa, sequer, ou proposta, para melhorar as condições dos cemitérios municipais.  Parece óbvio, uma vez que os políticos visam fazer promessas às pessoas que lhes rendam votos e, claro, não é o caso dos cemitérios. Mas não é bem assim, pois se tratando de cemitérios que ficam em bairros urbanos, há sim que se ter propostas de melhorias para estes locais, já que os problemas existem, sim, e são vários que afetam quem vive próximo à área.

Especificamente falando de Bragança, os moradores estão implorando ajuda, pois não aguentam mais a infestação de moscas decompositoras de cadáveres. O drama envolve ainda outros problemas. Usar o termo drama, não é exagero. É com propriedade que, fugindo de uma linha técnica de um editorial, escrevo esse texto. Isso, porque senti na pele, literalmente, um pouco do que os moradores das imediações do cemitério municipal de Bragança, vivem todos os trezentos e sessenta e cinco dias do ano. (ao lado conto o que passei).

Mas voltando aos problemas gerados pelo cemitério, além da grande quantidade de moscas, a vizinhança trava uma guerra contra outros invasores. Baratas e escorpiões se multiplicam, especialmente nos dias quentes. Outra questão que precisa ser tratada com urgência nessas áreas, diz respeito à segurança pública. Por se tratar, normalmente, de um local de pouco movimento, torna-se um atrativo para usuários de drogas, que chegam a entrar no cemitério para fazer uso de entorpecentes. Isso, sem contar os furtos que ocorrem. Ou seja, tudo indica que os cemitérios não são levados tão a sério como deveriam, tanto que, raramente, se vê um político discursando sobre o tema.

Em Bragança, alguns familiares só visitam o local em grupo ou em dias específicos de grande movimento, pois temem pela falta de segurança dentro do cemitério, assim como se sentem temerosos, os comerciantes e moradores da região.

Quanto às moscas, essas infestaram a região, entram nas casas, geladeiras, armários, tomam conta das casas. E de acordo com os relatos de moradores, há muitos anos, cerca de onze, não há dedetização no local. E moscas são problemas de Saúde Pública. 
A atual administração disse que irá fazer a dedetização e que é questão de tempo, já que será aberta licitação para contratação de empresa especializada. 

A população aguarda, contando os minutos, pois não é nada agradável conviver com elas.

Minha experiência

Ao entrevistar os moradores, resolvi entrar no cemitério, no local que eles indicaram, como sendo o foco mais crítico em aglomeração de moscas. Assim que entrei na rua 1 (setor de gavetas), já fui atacada pelos insetos. Eles pousaram em minhas mãos, braços, nariz, roupa, bolsa. Tentei espantá-las, mas em vão, já que são muitas e minúsculas. Protegi as narinas e boca, caso contrário elas entrariam, mesmo. Resolvi deixar o local, pois a situação ficou tensa. 

Ao voltar para o carro, após alguns minutos, achei que tivesse me livrado das moscas. No entanto, dentro do carro, tinham várias. Mesmo abrindo os vidros, elas não saíam. Foi necessário ligar o ar e usar um pano para espantá-las. Ainda assim, sobram algumas. Confesso que foi uma situação extremamente desagradável, pois a sensação é que elas vão entrar boca à dentro. E entram, se não houver proteção. 


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