08/09/2016 às 18h52min - Atualizada em 08/09/2016 às 18h52min

Acabou a cortesia com o chapéu alheio

Até 2014, o cenário das campanhas políticas nas ruas era vultuoso. A cada meio metro, havia alguém sacudindo uma bandeira, tinham cavaletes, carros de som que se misturavam aos mais variados ritmos. Diante da mudança eleitoral e da proibição de empresas doarem dinheiro aos candidatos, o cenário mudou e nem parece período eleitoral. 
Com isso, é possível entender que fazer cortesia com o chapéu alheio é fácil. É isso que faziam os candidatos até 2014, quando recebiam quantias exorbitantes de empresários e, assim, investiam pesado em publicidade. 
Os doadores não eram caridosos, como pode parecer, o que havia era interesse em resgatar tais doações num futuro próximo, o que se dava em muitas cidades, através de superfaturamento de obras, direcionamento de licitações. Tudo para pagar a dívida, a suposta “doação”. Ou seja, a fatura era paga pela população. 
Finalmente isso acabou e os candidatos têm de usar recursos próprios ou de doações de pessoas físicas para promover a gastança, mas tudo com base na declaração do imposto de renda.  E como está difícil conseguir uma doação!
O fato é que, foi dado um basta no amplo poder que apenas dois ou três candidatos tinham, de reunir de uma só vez, grande quantidade de eleitores. Isso se dava quando através de “doações”, certos grupos contratavam shows de artistas famosos, atraiam milhares de pessoas e, claro, faziam seus discursos para uma multidão. As chances desses candidatos ganharem a eleição, obviamente, era maior. A vantagem era gritante.
Hoje, todos têm de caminhar mais, fazer mais reuniões, muitas delas para 15,20, 30 pessoas, bater de porta em porta. A igualdade na busca do voto está se equiparando. Isso é uma evolução, um passo importante no pleito democrático. 
Campanha de grandes proporções exige dispor dos próprios recursos, da fortuna pessoal. A sensação é que não tem candidato disposto a isso. 
Cabe frisar que acabou a velha política de fazer cortesia com o chapéu alheio, com o dinheiro alheio.  

 


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