19/07/2017 às 13h13min - Atualizada em 19/07/2017 às 13h13min

“Nosso sentimento é de morte”, afirma moradora sobre deixar propriedade onde será construída barragem

Foto: Reprodução Facebook


Trinta e duas famílias do bairro Dobrada, zona rural de Amparo, estão inconformados com a decisão do Governo do Estado de São Paulo, em desapropriar suas propriedades para a construção de uma barragem. A maioria mora no local há várias gerações. 

Uma das líderes das famílias, Márcia Dias, contou ao Jornal de Bragança e Região, que elas não estão recebendo nenhum apoio do prefeito Luis Oscar Vitale Jacob (PSDB). “Ele nunca participou de nenhuma audiência, só mandou um representante, mas não o deixamos falar. Se ele (Jacob) não tem como impedir a obra, então ele poderia nos ajudar a negociar um lugar tão bom quanto esse ou negociar para diminuir o tamanho da barragem e, assim, menos famílias sairiam daqui”, desabafou.

Márcia contou que uma empresa especializada em desapropriação de favelas e presídios já foi ao local, o que chateou as famílias, já que não é o caso deles. “Falaram para nós que iriam pagar o valor venal das terras e que poderíamos retirar janelas, porta, tijolos. Então, não deixamos eles entrarem”.

Ela não acredita que a barragem irá gerar 1200 empregos na cidade, como é falado, nem que fomentará o turismo. Segundo o ponto de vista dela, a empresa já tem sua própria equipe. O que vai causar, segundo Márcia, é um impacto na Saúde e Segurança com mais pessoas morando na cidade. 

Márcia chamou atenção também para os animais que habitam a área. Segundo ela, os animais serão afugentados. “Será um salve se quem puder”. 

Reunião com Alckmin

No dia da inauguração do AME de Amparo, o governador recebeu as famílias e justificou que a barragem terá de ser construída por causa da crise hídrica. Segundo Márcia, uma nova reunião deve ser agenda para o mês de agosto.

Desocupação da Área

Sobre o sentimento de ter de deixar suas moradias, Márcia relata. “Nosso sentimento é de morte. Sim é isso. Já tentei imaginar indo embora daqui, nossa... as lágrimas rolam na face. Uma dor no peito, uma tristeza”, lamentou ao contar que existem idosos bastante tristes com a situação e citou o tio de 80 anos, que mora no local desde que nasceu. “Ele diz que se tiver de sair daqui, ele morre”.
 
Deputado chama grupo de famílias de “Vagabundos”

Segundo Márcia, no dia da visita do governador, as famílias se reuniram em frente ao prédio do AME, onde ocorria a solenidade de inauguração, a fim de serem recebidas pelo governador. E para a surpresa delas, o grupo foi ofendido pelo deputado estadual Edmir Chedid (DEM). “Diz ele, que falaram para ele, que eram pessoas do sindicato. Aí nos chamou de vagabundos e disse “vai levantar ás 4h da manhã para trabalhar” e depois veio pedir desculpas. Todos ouviram’.

Outro lado

O Departamento e Água e Energia Elétrica (DAEE), responsável pela obra, confirmou ao Jornal de Bragança e Região que irá realizar a construção dos reservatórios de Pedreira, no rio Jaguari, e Duas Pontes, no rio Camanducaia, em Amparo. “É irreversível. A licitação está em andamento e a previsão é iniciar as obras no último trimestre de 2017”, afirmou o órgão, ao informar que os projetos contam com licença ambiental prévia emitida pela CETESB e ao dizer que o DAEE, consultou também os órgãos reguladores do patrimônio histórico, arqueológico, artístico e turístico. “Todas as medidas estabelecidas por esses órgãos serão cumpridas no desenvolvimento das obras”.

Ainda segundo o DAEE, a área abrangida pelas barragens foi decretada de utilidade pública pelo Decreto nº 60.141 de 11/02/2014. O DAEE já providenciou o levantamento cadastral dos imóveis e os proprietários serão devidamente indenizados. O órgão frisou que com a barragem, serão diretamente beneficiados mais de 5,5 milhões de habitantes em 22 cidades. O que é contestado pelas famílias, que acreditam que a barragem beneficiará especialmente a Refinaria de Paulínia (Replan), que seria a financiadora dos projetos em contrapartida ao aumento de captação de água do Jaguari.

Prefeito Jacob

O prefeito Jacob também foi procurado pelo Jornal de Bragança e Região, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno das perguntas enviadas. 

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »