13/07/2016 às 17h09min - Atualizada em 13/07/2016 às 17h09min

Membros da Mesa Administrativa da Santa Casa empregam parentes na instituição

As contratações vão de filhos à esposa e sobrinhos de diretores

Foto: JBR


Dois importantes membros da Mesa Administrativa da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista têm parentes empregados na instituição. É o caso do 2° vice-provedor, Olympio Pannunzio Junior, que tem três pessoas da família trabalhando na Santa Casa, e do Administrador Hospitalar, Francisco Carlos dos Santos, que tem, ao menos, cinco parentes empregados na instituição. 
Olympio Pannunzio, conhecido como “Piá”, tem a esposa Sandra Ninni Pannunzio (relações públicas); a filha Isadora Ninni Pannunzio (farmácia externa) e a nora, Milene Dávila (encarregada da central de vagas), cargo recém criado.
Já o Administrador Hospitalar, Francisco Carlos dos Santos, tem a filha, Priscila Seguro dos Santos (encarregada da Tesouraria), o filho Gustavo Henrique Seguro dos Santos (encarregado de Marketing e Publicidade), a irmã, Fulviane Cosmo dos Santos (recepcionista), o sobrinho Leonardo Vieira dos Santos Junior (controladoria), e o sobrinho, por parte da esposa, Reginaldo, conhecido como “Nardinho”.
As denúncias que chegaram até o Jornal de Bragança e Região, também apontam que a maioria dos parentes contratados pela Santa Casa, tem cargo de encarregado e salário superior ao dos demais funcionários que ocupam o mesmo cargo em outros setores. Mas tais apontamentos não vieram acompanhados de documentos que pudessem comprovar a afirmação. O JBR, portanto, solicitou à Santa Casa, a relação dos nomes de todos os funcionários que possuem grau de parentesco com diretores da instituição e o valor dos salários, bem como o critério usado na contratação.
A Santa Casa não encaminhou os nomes e nem o valor dos salários. Apenas respondeu, por meio de um comunicado assinando pelo provedor, João José Marques, sobre os critérios da contratação de funcionários.  A nota diz que a “Santa Casa é pessoa jurídica de direito privado e que não está obrigada a seguir os critérios de seleção e contratação que regem as empresas públicas e autarquias, e que a contratação é feita após analise de currículo, processo seletivo e aplicação de prova de conhecimento específico, comprovação de habilitação, avaliação psicológica e de perfis”. A nota diz ainda, que o parentesco não constitui critério de avaliação e que não há irregularidade ou imoralidade.
Mas não explicou, por exemplo, a contratação do cargo de relações públicas, ocupado por Sandra Pannunzio, esposa de Olympio Pannunzio Junior, que segundo a denúncia, não possui nível superior na área, o que contradiz um dos critérios descritos na nota, que aponta a exigência de “comprovação de habilitação”.
Apesar de a Santa Casa ser de direito privado, a maior parte dos recursos é proveniente dos governos Federal, Estadual e Municipal, que são repassadas à instituição pela Prefeitura de Bragança. De acordo com a Assessoria de Imprensa do Executivo municipal “o valor mensal de repasses ao Sistema Único de Saúde através do Fundo Municipal de Saúde para custeio da Santa Casa é de R$ 1.875.182,53, o que totaliza R$ 22.502.190,36, por ano”.
O déficit mensal da instituição gira em torno de R$ 600 mil, segundo afirmação da própria Mesa Administrativa.

Nepotismo na Santa Casa de São Paulo
Em 2015, o Ministério Público do Estado de São Paulo, durante investigação na gestão do provedor, Kalil Rocha Abdala, também apontou em sua denúncia, no item: “Do Nepotismo na Irmandade Santa Casa de Misericórdia”, a contratação de parentes. Trecho da denúncia diz. “A irmandade funcionava como uma grande empresa familiar”, referindo-se a contratação de filhos e cônjuges. 

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