24/05/2017 às 14h03min - Atualizada em 24/05/2017 às 14h03min

“Meu pai foi tratado como lixo”, afirma filho de gari morto atropelado

Filho e nora desabafam sobre morte de gari (Foto: JBR)


Na terça-feira (23) completou um mês da trágica morte do gari Benedito Aparecido de Oliveira, de 54 anos, atropelado e prensado contra um poste, enquanto trabalhava na manhã do domingo de 23 de abril, em Bragança Paulista.

O Jornal de Bragança e Região conversou com familiares do gari que seguem a vida, mas jamais como antes. Eles, agora, carregam vários sentimentos: dor, indignação, desejo de justiça e decepção com a empresa Embralixo que, segundo eles, não prestou nenhuma assistência à família, apesar de seu Benedito ter morrido trabalhando.

Íris de Oliveira, nora de seu Benedito e Denílson de Oliveira, um dos três filhos do gari, contam que foi um dos filhos que arcou com todas as despesas do funeral. “Eles não tiveram um pingo de respeito com a família”, disse Íris emocionada ao lembrar que, além disso, os colegas que trabalhavam junto com seu Benedito no local do acidente, foram orientados na mesma hora, por um encarregado, a voltar a trabalhar, apesar do estado emocional deles. “Na minha opinião, meu pai foi tratado como um lixo, porque falar pra todo mundo voltar a trabalhar, com que cabeça?”

O casal conta ainda que nem na delegacia, nem no hospital, a empresa prestou qualquer tipo de apoio psicológico, judicial e financeiro. “Além do choque que a gente levou, tivemos de correr com tudo”, disse Íris ao citar que foi muito difícil ter de dar a notícia para a sua sogra e para a mãe de seu Benedito, que tem mais de 70 anos. “A empresa não liberou nem os funcionários para irem ao enterro. Alguns foram por conta, mas a empresa nem parou no dia. Quem fez uma homenagem a ele, foram os bombeiros”.

Seu Benedito era o arrimo da casa, onde morava com a esposa e uma filha com quadro de depressão. A cesta básica que o gari recebia da empresa está fazendo falta. “Um amigo, dono de um mercado, é que está ajudando”, disse Denílson ao explicar que quem está cuidando do caso agora é um advogado contratado pela própria família. “O salário e a homologação foram depositados”.

Justiça
“A gente quer que o Marlon (motorista que atropelou seu Benedito), fique preso, não queremos que ele saia da cadeia. O meu pai não vai voltar, mas a justiça tem de ser feita”, disse Denílson bastante abatido e com dúvidas sobre as chances de Marlon sair da cadeia. A família lamenta também o fato de a rua não estar com o trânsito impedido naquele dia, o que segundo eles, acontecia em outros anos durante a festa.

O Atropelamento
Por volta das 6h da manhã de domingo, dia 23 de abril, o gari Benedito Oliveira fazia a limpeza da avenida Tancredo Neves, em frente ao Posto de Monta, onde acontecia a Festa do Peão, quando foi atropelado e prensado contra um poste, pelo carro dirigido por Marlon de Oliveira Poloni Chagas, de 18 anos, que não era habilitado e que estaria em alta velocidade. O gari foi socorrido, mas morreu no Hospital Universitário São Francisco. 

Marlon é acusado, por testemunhas, de estar praticando racha. O caso está sendo tratado como homicídio doloso, quando há intenção de matar. Marlon está preso na cadeia de Bragança Paulista. O Jornal de Bragança e Região não conseguiu contato com seus advogados, mas o espaço está aberto.

A Embralixo, empresa responsável pela limpeza da cidade, não respondeu as perguntas feitas pelo JBR. Seu Benedito trabalhava há 15 anos na empresa, e segundo seus familiares, a Embralixo não pagava hora extra, ou seja, o dia de domingo trabalhado seria no sistema de banco de horas.

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