31/10/2018 às 15h14min - Atualizada em 31/10/2018 às 15h14min

Projeto que proíbe soltar fogos de artifício com barulho, divide opiniões



O projeto ainda não tem data para ir à votação e acabou de tramitar pelas comissões permanentes da Câmara de Bragança. Polêmico, ele prevê a proibição da soltura de fogos de artifício com barulho acima de 65 decibéis. Os autores, vereadores Beth Chedid (DEM) e Marcus Valle (PV), justificam que o som dos fogos prejudica, além de animais, idosos e autistas. “Nós temos muitas reclamações sobre isso, porque os estampidos geram problemas. Embora seja costume, a gente avalia que as tradições vão mudando. A gente não proíbe os luminosos”, disse Marcus Valle, ao informar que, em Bragança está havendo resistência das empresas. “No momento temos apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho Municipal do Meio Ambiente e das entidades protetoras de animais, mas tem mais gente contra”, disse Marcus Valle, ao informar que a Audiência Pública irá ouvir a população.

Simone Cardoso, protetora e administradora do Grupo S.O.S Animal, defende a aprovação da lei e diz que os cães sofrem muito com o barulho. “O som aos ouvidos deles é muito mais alto e, eles sentem muito medo, sofrem demais. Cresce o número de fugas, alguns morrem do coração, acontecem atropelamentos, alguns se machucam muito ao tentar fugir por grades, portões e vidraças”, disse Simone ao informar que todos os integrantes do S.O.S Animal são a favor da lei.
  
Outro lado

Edson de Campos Junior, conhecido como Bijú, é empresário do ramo de fogos de artifício e vem se organizando para que a lei não seja aprovada. Ele disse que é contra, não só pelo impacto financeiro que as empresas vão sofrer, mas também pelo fim da tradição, já que ele é um dos organizadores da queima de fogos em louvor a Nossa Senhora Aparecida, que há 35 anos acontece no bairro Lavapés, em Bragança, no dia 12 de outubro. “Eu fui à comissão e defendi que a queima de fogos é esporádica, em datas especificas e, com isso, dá para as pessoas se prevenirem. Estou elaborando um dossiê para entregar a todos os vereadores e estou mobilizando a sociedade, principalmente os religiosos, para que compareçam à Câmara”, disse ao desabafar. “Essa lei não passa de uma lei vitrine, eleitoreira. Não se consegue nem fiscalizar a lei do silêncio, de carros com som, de motos. Bragança tem outras prioridades”.

Audiência Pública

Foi marcada para o dia 23 de novembro, às 19h, uma Audiência Pública, que será na Câmara Municipal, na praça Hafiz Abi Chedid, em Bragança. A reunião é para ouvir a opinião da população, para saber se são contra ou a favor e seus argumentos. Só depois, o projeto vai para votação dos vereadores.

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