19/12/2016 às 16h18min - Atualizada em 19/12/2016 às 16h18min

Lava Jato: Cidadão bragantino é interrogado por juiz Sérgio Moro

Foto: Polícia Federal


O advogado Rodrigo Morales, depôs ao juiz federal da Operação Lava Jato, Sérgio Moro e relatou como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro feito pela sua empresa e de seu sócio Roberto Trombeta, a MRTR, com intuito de gerar caixa 2 para a empreiteira OAS, uma das envolvidas nas operações de propina à Petrobras. 

Rodrigo Morales é da cidade de Dracena, mas mora em Bragança, onde casou-se e formou família. Em 2014, ele recebeu o título de cidadão bragantino concedido pela Câmara Municipal.

Em Bragança, Morales se tornou muito conhecido, justamente, por patrocinar clubes de futebol, como o Ferroviários, por comprar vários imóveis e por construir prédios e alugar para o poder público, como é o caso do Poupa Tempo, Justiça Federal e Delegacia de Polícia. 
O juiz Sérgio Moro abriu a audiência alertando Morales de que havia um complicador, “Há uma controvérsia, porém. É que o MP fez um questionamento que o senhor teria descumprido o acordo. O juízo vai avaliar isso somente na sentença”.

Sergio Moro: O senhor pode me descrever as circunstâncias desses contratos?
Rodrigo Morales
: O contrato foi nos levado por algum executivo da OAS, anti-datado. Nós firmamos com simples intuito de gerar caixa 2 a eles.

Sergio Moro: O senhor tratou especificamente dessa contratação?
Rodrigo Morales:
Não. Isso veio pronto, só pra colheita de assinatura e depois só emitíamos a nota, recebemos os valores e transformamos isso em dinheiro.

Sérgio Moro: Houve prestação de serviço?
Rodrigo Morales:
Não houve excelência.

Sérgio Moro: O senhor e ele (Roberto Trombeta), prestavam esses serviços frequentemente a OAS?
Rodrigo Morales
: Sim, desde 2009, mais certeza de 2010 em diante. 

Sergio Moro: O que era esse serviço, pode descrever?
Rodrigo Morales
: Foram 13 contratos firmados com a OAS com simples intuito de gerar caixa 2 para eles. Ou seja, da gente transformar os recebimentos em recursos para serem destinados a eles.

Sérgio Moro: Ficavam com algum percentual?
Rodrigo Morales
: Era cobrado 20%, desse valor 16,53% eram para impostos. Sobravam para nós uns 2 % ou 3%.

Sérgio Moro: Esse dinheiro em espécie era devolvido a OAS?
Rodrigo Morales
: Sempre foi devolvido a OAS em nosso escritório.

Sérgio Moro: O senhor tem ideia de quanto mais ou menos o senhor e seu sócio operaram para a OAS?
Rodrigo Morales
: Esses 13 contratos geraram em torno de R$ 28 milhões.

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